O Congresso Brasileiro de Toxicologia Clínica é um evento organizado pela Associação Brasileira de Centros de Informação e Assistência Toxicológica e Toxicologistas Clínicos - ABRACIT, que reúne profissionais de saúde, acadêmicos e pesquisadores da área para discutir temas relacionados à Toxicologia Clínica e promover a troca de conhecimentos.

Diante do atual cenário de pandemia, visando a segurança dos seus participantes, o evento será realizado de forma virtual no período de 25 a 27 de novembro de 2020, das 16:00 às 22:00 horas.

Para maiores informações, acesse a página do congresso:

www.congresse.me/eventos/vicbtc2020  

Inscrições:  de 15 de outubro a 23 de novembro de 2020:

https://congresse.me/eventos/vicbtc2020/produtos 

 

Nota de Esclarecimento à População sobre os Riscos do Uso de Clorito de Sódio (MMS) na Prevenção/Cura do Coronavírus

A Associação Brasileira de Centros de Informação e Assistência Toxicológica e Toxicologistas Clínicos – ABRACIT vem expressar a sua preocupação no que diz respeito à automedicação e ao uso de substâncias químicas pela população na busca da prevenção e cura para o doença causada pelo novo coronavírus, a COVID-19, bem como alertar para os seus riscos. No desespero para prevenir a infecção pelo coronavirus Sars-CoV-2, muitas pessoas foram recentemente às farmácias em busca da cloroquina ou hidroxicloroquina, em decorrência de estudos divulgados na imprensa sobre o seu uso no tratamento da COVID-19. É importante ressaltar que esse medicamento tem efeitos tóxicos importantes e não deve ser utilizado sem prescrição médica, pois a automedicação pode representar um grave risco à sua saúde. Estudos com a hidroxicloroquina ainda são preliminares, não havendo comprovação da sua eficácia para o tratamento da Covid-19, muito menos como forma de prevenção à contaminação, devendo ser usado para esse fim apenas sob protocolo terapêutico.
Em relação ao uso de produtos químicos, chegou ao nosso conhecimento que pessoas estão ingerindo um produto denominado de “MMS” (do inglês Miracle Mineral Solution) para a cura e/ou prevenção da COVID-19. Consiste em um kit composto de um frasco de clorito de sódio a 28% e um frasco com ativador à base de ácido clorídrico a 4%, ambos tóxicos à saúde humana, produzido para o tratamento e desinfecção de água, mas comercializado ilegalmente como remédio para tratamento da doença provocada pelo coronavírus. Este mesmo produto já foi comercializado no passado com a promessa de cura do autismo e do câncer, tendo a sua comercialização proibida desde 2018 no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
O clorito de sódio é um forte agente oxidante e pode ter efeitos corrosivos na pele, olhos, sistema respiratório, mucosa oral e trato gastrointestinal, podendo causar ainda efeitos sistêmicos, incluindo cianose, metahemoglobinemia e insuficiência renal. O seu manuseio e aplicação como desinfetante deve ser feito utilizando-se os equipamentos de proteção individual (EPI) recomendados como óculos de proteção, luvas e roupa em PVC. O ácido clorídrico, por sua vez, pode causar dor imediata com queimação na boca, garganta e estômago, dor abdominal, vômito e dificuldade em respirar, quando ingerido, além de queimadura na pele e complicações respiratórias. O seu manuseio também deve ser feito com uso de EPI.
A mistura das duas substâncias forma o dióxido de cloro, que é altamente irritante para os olhos e vias respiratórias. A ingestão da mistura pode causar vômito, anúria (ausência da produção de urina) e insuficiência renal aguda. A sua inalação pode levar à hipóxia (com redução da oxigenação dos tecidos) e lesão pulmonar aguda.
Alertamos para o perigo das propagandas que divulgam produtos como soluções para doenças sem comprovação científica, aproveitando-se do momento de fragilidade das pessoas, e esclarecemos que, até o momento, não há nenhum medicamento, substância química, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo novo coronavírus.

Salvador, 27 de março de 2020

Jucelino Nery da Conceição Filho
Presidente da ABRACIT

Consulta Pública nº 6, publicada no DOU 19/02/2019
Início: 20/02/2019 e Término: 11/03/2019
Abordagem do Paciente intoxicado por Piretroides (Capítulo 5)
As contribuições podem ser feitas por meio do link:  Consulta Pública CONITEC/SCTIE Nº 06/2018 - Diretriz - Intoxicações por Agrotóxicos - Capítulo 5

 

Consulta Pública nº 7, publicada no DOU 19/02/2019
Início: 20/02/2019 e Término: 11/03/2019
Abordagem do Paciente intoxicado por 2,4D e seus derivados (Capítulo 4)
As contribuições podem ser feitas por meio do link: Consulta Pública CONITEC/SCTIE Nº 07/2018 - Diretriz - Intoxicações por Agrotóxicos - Capítulo 4

Link para baixar o Edital de Convocação

ATENÇÃO: R3 Toxicologia Médica

Processo Seletivo Residência Médica FHEMIG 2019

Local da Residência: Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais

Período das Inscrições:  09h00 do dia 09/10/2018 às 17h59 do dia 22/10/2018.

Somente pela Internet.

Valor das Inscrições: R$ 100,00 (cem reais).

Período da Solicitação de Isenção:  09h00 do dia 09/10/2018 às 17h59 do dia 11/10/2018. Somente pela Internet.

Data da Prova: 18/11/2018 ás 09h00min na cidade de Belo Horizonte-MG.

Cargos (Programas Ofertados): Conforme detalhado no item 3 do Edital.

Acesse o Edital no link abaixo:

Residencia medica R3 Toxicologia Medica 2019

RECOMENDA-SE A LEITURA DE TODO O EDITAL ANTES DE REALIZAR A INSCRIÇÃO

Pré-requisitos:
Conclusão de Residência Médica em Clínica Médica, Medicina Intensiva, Pediatria ou Pneumologia.
Acesse o Regimento Geral das Residências Médicas da FHEMIG

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da Unicamp inaugurou, na tarde de segunda-feira (11), o sistema de cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas sequencial. O equipamento foi adquirido por meio de convênio de cooperação firmado entre a Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região (MPT) e a Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. O valor investido para aquisição do equipamento foi de R$ 600 mil.

De acordo com a procuradora-chefe da Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região, Maria Stela Guimarães de Martin, o convênio foi assinado em março de 2017 e visa a cooperação técnico-científica na área de toxicologia ocupacional. O recurso foi destinado ao Laboratório de Toxicologia Analítica do CIATox após a minuciosa avaliação e referências sobre o Centro, obtidas pela procuradora do trabalho Danielle Olivares Corrêa Masseran.

 

Veja o link

 

O QUE É A CONDIÇÃO: INTOXICAÇÃO POR CIANETO

O cianeto é uma substância química extremamente tóxica. A intoxicação ou envenenamento por cianeto pode ser considerado um evento raro, porém potencialmente grave em algumas situações. A principal maneira de entrar em contato com o cianeto é por meio da inalação de fumaça de incêndios em ambiente fechados, como residências, por exemplo. A inalação de cianeto produz sintomas em poucos segundos e pode levar à morte por parada respiratória em minutos. Os sinais e sintomas dos casos leves incluem dor de cabeça, enjoo, tontura, ansiedade, respiração acelerada e pressão alta.

Os casos moderados podem apresentar falta de ar, redução ou alteração dos batimentos cardíacos e da pressão arterial e alteração leve do nível de consciência. Nos casos graves, as manifestações incluem coma profundo, pupilas fixas e não reativas, parada cardíaca, parada respiratória, infarto e acúmulo de líquido nos pulmões. A cianose (coloração azul-arroxeada da pele) é muitas vezes um sinal tardio de intoxicação por cianeto, mas pode não ocorrer, mesmo em pacientes com quadro grave. Sem tratamento, são grandes as chances de morte das pessoas intoxicadas gravemente.

 

COMO É O TRATAMENTO: PACIENTES INTOXICADOS POR CIANETO

Seu tratamento é orientado por meio de contato com os Centros de Informação e Assistência Toxicológica –CIATox, um serviço gratuito, público, mantido com escalas de plantonistas dispostos a orientar o atendimento às vítimas dos variados acidentes com agentes tóxicos.

Nos casos de intoxicação por cianeto, além das medidas clínicas comuns, como a administração de oxigênio, deve ser feito o uso de antídotos (agentes contra venenos). A hidroxocobalamina é apontada como um antídoto de primeira escolha por seu bom perfil de riscos e benefícios.

A hidroxocobalamina é um medicamento injetável que, apresenta-se como um agente potencialmente efetivo e seguro no tratamento de intoxicações por cianeto, sobretudo, nos casos de inalação de fumaça de incêndios em ambientes fechados. Todavia, outros fatores, como as dificuldades para a sua adequada disponibilização para o uso antes mesmo da entrada das pessoas intoxicadas no hospital (uso pré-hospitalar), devem ser considerados na elaboração de recomendações sobre seu uso.

 

MEDICAMENTO ANALISADO: HIDROXOCOBALAMINA

Com base no relatório de recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC), o Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, no uso de suas atribuições legais, decidiu incluir o Cloridrato de hidroxocobalamina na concentração de 5 g injetável no tratamento de intoxicações por cianeto no âmbito do SUS.

O relatório técnico completo de recomendação da CONITEC está disponível em:

Relatorio_Hidroxocobalamina_final

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva vem a público manifestar seu repúdio à interpelação judicial demandada pela Federação da Agricultura do Estado do Ceará – FAEC, contra Fernando Ferreira Carneiro, pesquisador da Fiocruz e membro do Grupo Temático de Saúde e Ambiente da Abrasco, por ter divulgado dados do SUS sobre a classificação do Ceará na comercialização de agrotóxicos entre os estados brasileiros.

O uso de agrotóxicos é um problema de alta relevância para a saúde pública, a ciência e para a defesa da vida no Brasil, país com um dos maiores mercados consumidores de agrotóxicos do mundo [1]. A Abrasco tem desenvolvido diversas iniciativas para trazer ao conhecimento da população os impactos decorrentes do aumento do uso de agrotóxicos no Brasil. A publicação “Dossiê Abrasco: um alerta sobre os impactos dos Agrotóxicos na Saúde” é o maior exemplo desse esforço coletivo dos pesquisadores de nossa entidade, juntamente com representantes de movimentos sociais e outras instituições de ensino e pesquisa, como a Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz.

A Fiocruz, instituição do Ministério da Saúde, tem se pautado por meio de atividades de pesquisa, ensino, cooperação e serviços sobre essa temática, incluindo atendimento ambulatorial e monitoramento de resíduos de agrotóxicos em água e alimentos ao longo de sua história. A investigação dos impactos socioambientais e sanitários decorrentes do uso dos agrotóxicos é uma das principais linhas de pesquisa desenvolvidas por diversas unidades técnico-científicas da Fiocruz.

Em apresentação técnica realizada por Fernando Carneiro, em 28 de setembro de 2015, durante audiência pública para debater os agrotóxicos e seus efeitos sobre a saúde e o ambiente, convocada pelo Ministério Público em Fortaleza, foram apresentados dados do Relatório Nacional de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos, publicação de responsabilidade do Departamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador – DSAST, Secretaria de Vigilância em Saúde – SVS, Ministério da Saúde[2]. Os dados mostravam que o Ceará era o terceiro maior comercializador de agrotóxicos do Brasil (em quilogramas por área plantada) para o ano de 2013.

Após a apresentação o pesquisador foi alvo de críticas e constrangimentos, especificamente, entre os anos de 2015 e 2016. Dois anos depois do ocorrido, em 18 de novembro de 2017, Fernando Carneiro foi notificado por meio de uma interpelação judicial movida pela FAEC, questionando e solicitando esclarecimentos sobre os dados apresentados, que foram produzidos pelo SUS e divulgados pela Fiocruz Ceará. Essa interpelação[3] cita parte da entrevista concedida ao Jornal O Povo, onde o pesquisador menciona a palavra “veneno” (Jornal O Povo, 29/09/2015), conforme trecho abaixo:

“Estamos sugerindo que a agroecologia seja incentivada e que quem produz (comercializa e consome) veneno, comece a pagar impostos, para, assim, termos uma agricultura mais saudável”, defende o diretor da Fiocruz no Ceará, Fernando Carneiro. [Jornal O Povo, 29/09/2015]

Abaixo seguem os comentários dos advogados da FAEC:

“Nota-se claramente a intenção desqualificadora no uso de predicativos ao defensivo agrícola, ao nominá-lo de “veneno”. Ou ainda, ao se referir ao índice de aplicação de defensivos agrícolas como “consumo”. Denota-se, outrossim, do próprio discurso do INTERPELADO, um caráter político, ao insinuar a necessidade de majoração de impostos aos produtores de pesticidas”.

Isso é apenas um exemplo da argumentação apresentada, que vai de encontro à legislação brasileira que consagra a palavra “agrotóxico”, que como qualquer substância perigosa à saúde está muito mais próxima da designação de “veneno” do que de “defensivo”. A palavra veneno, inclusive, é devidamente estampada nas embalagens dos agrotóxicos, acompanhada do símbolo da caveira, para justamente alertar a população que os mesmos podem causar a morte. Além do mais, os agrotóxicos são isentos de uma série de impostos, chegando a isenção total em alguns estados como o Ceará, questão que agora será analisada pelo Supremo Tribunal Federal, tendo a Abrasco como amicus curiae de uma ação popular nacional contrária a essa situação.

A terminologia adotada por Fernando Carneiro foi definida na LEI Nº 7.802, de 11 de julho de 1989, que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências. Cabe destacar também que o Decreto Nº 4074/2002 que Regulamenta a Lei no 7.802, de 11 de julho de 1989, determina em seu anexo VIII em relação a rotulagem das embalagens de agrotóxicos:

“1.8 Deve ser incluído no painel frontal do rótulo, na faixa colorida, círculo branco com diâmetro igual a altura da faixa, contendo uma caveira e duas tíbias cruzadas na cor preta com fundo branco, com os dizeres: CUIDADO VENENO;” (grifo nosso)

Finalmente, na interpelação, é solicitado pela FAEC que o pesquisador:

Abstenha‐se o INTERPELADO de:

  1. a) praticar divulgações midiáticas ou qualquer outro ato sem embasamento de dados fornecidos por órgãos oficiais; ou, ainda, fundamentado em intepretações conflituosas e desvirtuadas, a exemplo das elencadas na presente; b) utilizar denominações pejorativas e/ou desqualificadoras, a exemplo da denominação “veneno”, proferida no Jornal O Povo, 29/09/2015, ao se referir aos Defensivos Agrícolas, mormente em oportunidades de divulgação de grande visibilidade;

Fernando Carneiro de fato mencionou dados divulgados pelo Sistema Único de Saúde – SUS. A Fiocruz é instituição federal que integra o SUS, e todo estudo que revele fatos de interesse para o bem comum deve ser publicamente revelado. Não apenas por representar o retorno aos recursos públicos investidos nos estudos e pesquisas, como também por um dever ético profissional e cidadão. Interpelações judiciais como essa revelam interesses corporativos e econômicos. É clara a sua intenção em coibir a atuação de pesquisadores qualificados, reconhecidos no país e no exterior, com trajetória acadêmica de excelência. O alvo não é apenas esse pesquisador, como indivíduo, mas a intimidação para aqueles que se posicionem de modo contrário aos interesses econômicos desses grupos. Os dados mencionados, reiteramos, são informações oficiais e de pesquisas científicas sobre o uso de agrotóxicos e seus impactos. Essa estratégia corporativa foi amplamente utilizada pela indústria do tabaco e disseminou-se para outras atividades com potencial de causar danos à saúde e ao ambiente, como a indústria de agrotóxicos. Por quase meio século a indústria do tabaco negou sistematicamente a relação entre o cigarro e doenças como câncer, problemas cardíacos, enfisema pulmonar e doença pulmonar obstrutiva crônica, além de não admitirem que cigarro e nicotina viciam e causam dependência, tratando os mesmos como simples “hábitos”. De fato, comitês científicos criados pelas empresas alegaram que não seria “cientificamente correto” afirmar a existência de uma relação causal entre tabaco e câncer, apesar de existirem evidências científicas suficientes comprovando o contrário. Dessa maneira, a indústria do tabaco seguiu desqualificando pesquisadores e estudos que trouxessem evidências contrárias a seus interesses. Este tipo de estratégia das corporações é amplamente conhecida e alvo de publicações científicas. Fabricantes de produtos perigosos tentam influenciar a opinião pública ridicularizando cientistas cujas pesquisas ameacem poderosos interesses, desqualificando pesquisadores, ou mesmo financiando pesquisas de natureza duvidosa para criar contradições no conhecimento acumulado. Dessa maneira, os interesses das partes envolvidas são favorecidos em detrimento das melhores decisões para a sociedade e o bem comum.

A informação e comunicação em saúde, seja ela difundida por meio de artigos científicos, documentos e outros meios de divulgação, são fundamentais para a garantia do direito à saúde, sendo uma das atribuições das instituições de ensino, pesquisa em saúde e do SUS. As diversas formas de constrangimento e perseguição aos pesquisadores, bem como o aumento da violência no campo no Brasil já foram temas de mesas e debates nos eventos e manifestações produzidas pela Abrasco. Os ataques também se dirigem às populações do campo, da floresta, das águas e das cidades, às instituições públicas, ao SUS e à própria democracia no nosso país.

Nesse momento, a liberdade para a pesquisa e divulgação científica está sendo ameaçada. Utilizam-se meios judiciais para ataques empregando-se publicações sem rigor metodológico. Essas tentativas de intimidação e cerceamento da pesquisa e ensino vêm se avolumando na atual conjuntura de ampla regressão de direitos e conquistas históricas, que colocaram o país em uma posição de protagonismo inédito no panorama mundial da ciência. A informação em saúde é um direito da sociedade e precisa ser ampliado no Brasil, incluindo a divulgação dos impactos socioambientais gerados pelos agrotóxicos.

O episódio revela ainda um retrato preocupante para a sociedade. A falta de transparência dos dados referentes ao uso e comercialização de agrotóxicos no Brasil, que dificulta a participação da sociedade civil e de instituições científicas no acompanhamento e investigação dos impactos decorrentes das tecnologias predominantes na agricultura brasileira. Atualmente não são disponibilizados os volumes de agrotóxicos comercializados por cultura e por município. Essas informações são fundamentais para a formulação de ações voltadas para a prevenção de doenças e danos decorrentes dos agrotóxicos, tais como: planejar o monitoramento de resíduos em água, solo e alimentos; direcionar as ações de diagnóstico, tratamento e prevenção de intoxicações de acordo com a toxicidade esperada dos agrotóxicos mais usados; identificar o perfil tecnológico voltado a produção das culturas e propor modos mais eficazes e seguros.

Por trás desses ataques está a tentativa de calar as denúncias e ocultar os impactos negativos trazidos pelo uso de agrotóxicos e pelo modelo de agricultura caracterizado por grandes latifúndios, produção de commodities agrícolas e uso intenso de agroquímicos e sementes transgênicas. Tentativas de intimidação sobre pesquisadores tem a intencionalidade de gerar constrangimentos com intuito de obstruir o trabalho e os estudos sobre o tema que tem se ampliado no Brasil e demais países, devendo ser respondidas de forma contundente pela comunidade científica e entidades da sociedade em geral na exigibilidade do direito à saúde e da democracia.

Conclamamos todas e todos a repudiarem esse tipo de censura e intimidação e se somar à Abrasco, ao assinar essa nota pública de apoio ao direito à informação de toda a sociedade e de garantia à pesquisa livre e independente dos interesses e ameaças das grandes corporações que produzem e propagam o uso de venenos.

Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 2017.

Associação Brasileira de Saúde Coletiva

[1] Dossiê Abrasco: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde. Organização de Fernando Ferreira Carneiro, Lia Giraldo da Silva Augusto, Raquel Maria Rigotto, Karen Friedrich e André Campos Búrigo. – Rio de Janeiro: EPSJV; São Paulo: Expressão Popular, 2015.

[2] O relatório completo pode ser lido aqui, e a informação em questão pode ser verificada na página 21. 

[3] Norões | Gondim | Pedrosa – Advogados. Rua Marcondes Pereira, no 1131, Dionísio Torres, CEP: 60.135-222 – Fortaleza –CE, Fone: (85) 3272.2511 e-mail: adm@ngpadv.com.br www.ngpadv.com.br

Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia

Atlas:

Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia

Larissa Mies Bombardi

Laboratório de Geografia Agrária

FFLCH - USP, São Paulo, 2017.

Profa. Larissa Mies Bombardi escreve em seu blog:

  • Este Atlas é resultado de um trabalho intenso que vem sendo desenvolvido nos últimos três anos.
  • Toda a parte técnica de cartografia e de design foi realizada solidariamente.
  • A ideia é que as informações aqui contidas possam circular e possam ser um importante instrumento de conscientização e, também, de suporte para políticas públicas que envolvam a proteção da população exposta aos agrotóxicos.
  • Por tudo isto, estamos disponibilizando uma versão on-line gratuitamente: https://drive.google.com/file/d/1ci7nzJPm_J6XYNkdv_rt-nbFmOETH80G/view
  • O Atlas impresso será vendido a partir do dia 11/12/2017 no blog.

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