"ABRACIT alerta para uso do 'MMS' como tratamento da COVID-19".

Por: Adriana Safioti de Toledo Ricardi
27 de março de 2020

Nota de Esclarecimento à População sobre os Riscos do Uso de Clorito de Sódio (MMS) na Prevenção/Cura do Coronavírus

A Associação Brasileira de Centros de Informação e Assistência Toxicológica e Toxicologistas Clínicos – ABRACIT vem expressar a sua preocupação no que diz respeito à automedicação e ao uso de substâncias químicas pela população na busca da prevenção e cura para o doença causada pelo novo coronavírus, a COVID-19, bem como alertar para os seus riscos. No desespero para prevenir a infecção pelo coronavirus Sars-CoV-2, muitas pessoas foram recentemente às farmácias em busca da cloroquina ou hidroxicloroquina, em decorrência de estudos divulgados na imprensa sobre o seu uso no tratamento da COVID-19. É importante ressaltar que esse medicamento tem efeitos tóxicos importantes e não deve ser utilizado sem prescrição médica, pois a automedicação pode representar um grave risco à sua saúde. Estudos com a hidroxicloroquina ainda são preliminares, não havendo comprovação da sua eficácia para o tratamento da Covid-19, muito menos como forma de prevenção à contaminação, devendo ser usado para esse fim apenas sob protocolo terapêutico.
Em relação ao uso de produtos químicos, chegou ao nosso conhecimento que pessoas estão ingerindo um produto denominado de “MMS” (do inglês Miracle Mineral Solution) para a cura e/ou prevenção da COVID-19. Consiste em um kit composto de um frasco de clorito de sódio a 28% e um frasco com ativador à base de ácido clorídrico a 4%, ambos tóxicos à saúde humana, produzido para o tratamento e desinfecção de água, mas comercializado ilegalmente como remédio para tratamento da doença provocada pelo coronavírus. Este mesmo produto já foi comercializado no passado com a promessa de cura do autismo e do câncer, tendo a sua comercialização proibida desde 2018 no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
O clorito de sódio é um forte agente oxidante e pode ter efeitos corrosivos na pele, olhos, sistema respiratório, mucosa oral e trato gastrointestinal, podendo causar ainda efeitos sistêmicos, incluindo cianose, metahemoglobinemia e insuficiência renal. O seu manuseio e aplicação como desinfetante deve ser feito utilizando-se os equipamentos de proteção individual (EPI) recomendados como óculos de proteção, luvas e roupa em PVC. O ácido clorídrico, por sua vez, pode causar dor imediata com queimação na boca, garganta e estômago, dor abdominal, vômito e dificuldade em respirar, quando ingerido, além de queimadura na pele e complicações respiratórias. O seu manuseio também deve ser feito com uso de EPI.
A mistura das duas substâncias forma o dióxido de cloro, que é altamente irritante para os olhos e vias respiratórias. A ingestão da mistura pode causar vômito, anúria (ausência da produção de urina) e insuficiência renal aguda. A sua inalação pode levar à hipóxia (com redução da oxigenação dos tecidos) e lesão pulmonar aguda.
Alertamos para o perigo das propagandas que divulgam produtos como soluções para doenças sem comprovação científica, aproveitando-se do momento de fragilidade das pessoas, e esclarecemos que, até o momento, não há nenhum medicamento, substância química, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo novo coronavírus.

Salvador, 27 de março de 2020

Jucelino Nery da Conceição Filho
Presidente da ABRACIT

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